Intervenção militar: comparação conjuntural de 1964 com 2015

Caros amigos

Como em 64, a imensa maioria dos militares, embora enxergando o desastre em que fomos metidos – porque não deixaram de ser brasileiros e sofrem todas as consequências do caos – espera que os problemas políticos e econômicos sejam resolvidos com os recursos oferecidos pelas leis vigentes, sem a necessidade do emprego da Expressão Militar do Poder Nacional.

Diferente de 64, o governo do PT sabe que não tem meios para tentar implantar as reformas que julga necessárias, “na lei ou na marra”.

Diferente de 64, os grandes empresários que, naquele tempo, realizavam encontros para debater a conjuntura e assumir suas responsabilidades, hoje, estão presos, porque optaram por aliar-se ao inimigo e, com ele “levar vantagem”! Já chamei isto de suicídio e de oportunismo por ganhos efêmeros, mas, hoje, vejo que foi corrupção, ganância e falta de caráter.

Como em 64, inúmeros grupos estão organizados para manifestar-se contra o comunismo, na forma bolivariana adotada pelo PT, mas, felizmente, por todas as razões da lógica e da prudência, nenhum deles está disposto à ação revolucionária. Não constituem um bloco monolítico, mas, encontram efêmera unidade pela situação caótica por que passa o País.

Diferente de 64, não há, por parte dos Governadores dos Estados, qualquer oposição objetiva às esquerdas e ao Governo, muito menos por parte dos de Minas Gerais, do Rio ou de São Paulo, de maneira a interferir positivamente na deposição do PT.

No Congresso, a oposição, embora “majoritária”, tem agido de forma fisiológica, sem determinação e sem a formação de um bloco interpartidário que produza os efeitos esperados por quem pretenda servir de fato à sociedade e não a seus interesses pessoais e corporativos.

A grande mídia, em contraste com o ocorrido em 64, é dependente das verbas de propaganda do governo e empresta seu apoio à defesa da democracia como o ferreiro que dá uma no cravo e outra na ferradura, com raras exceções. Por outro lado, as mídias sociais, inexistentes há cinquenta anos, têm exercido papel preponderante na exposição e difusão das mazelas e na formação da opinião pública, embora, por falta natural de profissionalismo, por vezes, se deixem envolver pela ação contrária do adversário, também ele utilitário dessa ferramenta.

No meio sindical não se conhece nenhum organismo patrocinado pelas empresas privadas que esteja promovendo a reação ao proselitismo esquerdista, distintamente do que ocorria há cinco décadas atrás.

No meio estudantil, nas universidades, há um movimento incipiente, promovido por abnegados e discriminados professores, que começa a tomar vulto e que, vez por outra, põe por terra os pífios e surrados argumentos de esquerda que, desde antes de 64, contaminam o meio. Entretanto, muitos jovens estão saindo às ruas nas manifestações de protesto, embora a UNE continue dominada e comprada pelo Governo.

As mulheres brasileiras continuam sendo personagens da defesa da democracia e dos princípios judaico cristãos que caracterizam a essência da nossa sociedade, embora sem a ênfase e o protagonismo que tiveram em 64.

Os militares da reserva, tanto quanto em 64, têm exercido o direito de manifestar suas opiniões que, por certo, representam o pensamento e as preocupações que estão a merecer a atenção profissional e cidadã dos da ativa.

As FFAA estão coesas e a disciplina não corre o risco de ser agredida por “levantes” ou “motins”, o que prova que as “lições aprendidas” sempre mereceram a especial atenção dos militares brasileiros.

A confiança nos chefes e o conhecimento da conjuntura, nacional e do entorno do País, neutralizam, consensualmente, o surgimento de lideranças que assumam posições de destaque ou de relevância ao arrepio da hierarquia, tornando inócua a possibilidade de ruptura ou de ações intempestivas fora do controle dos Comandantes das Forças, não havendo quaisquer indícios de que os militares pretendam quebrar sua fidelidade à Constituição.

Como em 64, não há o risco de divisão interna das FFAA, assim como não há risco de que os militares assumam posições que não representem a vontade e o interesse nacionais. Também não há planos revolucionários para depor qualquer governo, mas planejamentos estratégicos que atendem a qualquer das hipóteses de necessidade de emprego do Poder Militar.

Isto impede que, em qualquer situação, haja o risco de falta de coordenação e controle como o ocorrido na madrugada de 31 de março, quando, “por razões diversas”, o movimento revolucionário foi antecipado por tropas do I Exército sediadas em Minas Gerais.

Quanto aos os políticos brasileiros e aos Governadores dos Estados, diversamente do ocorrido em 64, não há consenso ou maioria que enxergue como necessária ou que advogue por uma intervenção militar como a ocorrida em 31 de março daquele ano.

Diferente de 64, o Presidente do Congresso Nacional só virá a declarar vaga a Presidência da República se este fato ocorrer estritamente dentro dos preceitos da Constituição Federal, que não incluem, explicitamente, uma intervenção militar, o que não exclui, porém, o risco de que, como em 64, “a perplexidade dos primeiros dias” não dê margem a uma série de manobras visando ao atendimento de interesses pessoais e de grupos políticos.

Diferente de 64, a substituição do Executivo terá que legitimar-se por intermédio do Congresso e não por um decreto ou “Ato Institucional” do novo governo. Todavia, como em 64, o novo Governo passará, logo em seguida, a desgostar indivíduos e grupos, porquanto, antes da deposição, da cassação, da renúncia ou do abandono do cargo, essa discussão irá enfraquecer a coligação de forças políticas e populares que visam este objetivo.

Com certeza, como em 64, seja qual for a forma como o PT será deposto, as divergências começarão já no primeiro dia, o que exigirá a atenção, a vigilância, o empenho, o equilíbrio e a serenidade de todos, de forma a não comprometer ou permitir que a lei seja descumprida e a ordem interna seja ameaçada.

 Neste caso, o emprego da Expressão Militar será essencial para assegurar que não haja comprometimento da manutenção e do aperfeiçoamento do regime democrático.

As condições objetivas e subjetivas da conjuntura atual diferem essencialmente das de 1964 e, nessas circunstâncias, uma intervenção militar, não logrará o mesmo êxito registrado na história, dividirá o País, poderá unir as vítimas aos seus algozes, comprometerá a confiança que a Nação deposita nas suas FFAA, não terá legitimidade e impossibilitará a conquista do sucesso político almejado.

É o que penso!

Gen Bda Paulo Chagas

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10 respostas para Intervenção militar: comparação conjuntural de 1964 com 2015

  1. pablo ribas disse:

    lamentavel agora vão fazer um concurso para mudar a bandeira do brasil onde estudantes estrangeiros poderão participar enviando modelos de bandeiras, é o fim do respeito por um país, acredito que se não houver uma reviravolta urgente não teremos mais um país chamado brasil para viver.
    segue o link https://www.youtube.com/watch?v=GH3_b16tWeM&feature=youtu.be

  2. ALEXS disse:

    CONCORDO ! MAS VOU FICAR DO LADO QUE FOR CONTRA A QUALQUER ESQUERDA, SE PRECISO FOR IR A LUTA CONTRA ESSA ESQUERDA MAFIOSA QUE SEJA ! JÁ ESTOU EM UMA IDADE QUE MAIS ME PREOCUPO EM DEIXAR UM PAIS PARA O FUTURO DE MINHAS FILHAS QUE MORRER DE VELHO EM UM PAIS QUE NEGA SAÚDE,EDUCAÇÃO E SEGURANÇA PARA QUEM NELE VIVE !

  3. Francisco Machado disse:

    Caro General,
    Como deve ser de seu conhecimento, Eduardo Cunha acaba de deferir a abertura do processo de impeachment da governanta.
    Este dia 02 de dezembro ficará na história. Novos ventos de liberdade parecem soprar sobre o nosso País. Eu não tenho dúvida de que os vermelhos não vão aceitar o processo de impeachment. e vão tumultuar e, talvez, partir para a violência nas ruas. O que se espera é que as FFAA estejam ao lado do povo que apoiou e apoia a medida do Presidente da Câmara, Deputado Eduardo Cunha. Viva o novo Brasil que está para se soerguer da sujeira do PT.
    Que Deus nos guarde de todo mal dos vermelhos.
    Saudações
    Francisco Machado.

  4. Fabrício disse:

    Muito bem esclarecedor esses 2 últimos tópicos.

  5. marcelo disse:

    Os estrangeiros receberam a notícia que a economia brasileira entrou em colapso.
    http://www.zerohedge.com/news/2015-12-01/brazil-releases-shocking-gdp-obituary-its-mutated-outright-depression-goldman-exclai

    Os estrangeiros estão comemorando a nossa crise econômica, por que as prostitutas brasileiras ficarão mais baratas para as Olimpíadas.
    Sim, é isso mesmo. Leia os comentários da notícia.

  6. Clayton Kikugawa disse:

    General Chagas.

    A sorte está lançada.

    Agora veremos o desdobramento dos acontecimentos que precedem o processo de impeachement.

    Não há mais volta, já atravessamos o rio. Espero em deus que seu prognóstico esteja certo, e que não tenhamos que derramar, uma só gota de sangue.

    Muito obrigado pelos seus textos, que são um alento para todos os que os leem.

    Que deus abençoe a todos nós.

  7. Lí o outro texto e agora este, se completaram. Entendo o exposto, eu também imagino que uma intervenção uniria vítimas e seus algozes.

  8. Catarina Dias Mendes disse:

    Sem sacrifícios não lograremos nossa liberdade. O senhor, melhor do que eu, sabe disso.
    O que está impedindo nossos generais de agir é essa Constituição Federal, que foi escrita com a mão esquerda. Vamos rasgar, queimar e reescrever.

  9. Paulo Roberto disse:

    Independente do que diz a Constituição (se a esquerda pode interpretá-la sempre que deseja) a Liberdade está acima de tudo. Se existia alguma dúvida sobre o grau de comprometimento do Poder Judiciário, bem, ela já não mais existe. O Poder Legislativo já foi sufocado e está agonizando. A esquerda, em 64, tentou esfacelar as Forças Armadas pela base, agora veio por cima e, ao que tudo indica, teve êxito. O processo é lento, o Comunismo é uma onda que percorre o mundo em períodos cíclicos (por incrível que pareça existe um modelo de previsão matemático para este fato). Talvez muitos de nós não vivam para assistir o resultado de tudo que vem ocorrendo, infelizmente nossos filhos e netos não terão a mesma sorte.

    • Caro Paulo Roberto, não sei quanto a você, mas fui preparado pelo meu pai para substitui-lo, com cidadão, na defesa democrática dos ideais liberais e tenho feito o mesmo com as minhas filhas, genros e netos. Tenho a convicção de que eles se empenharão, tanto quanto eu e você, para que esses ideais sejam acolhidos pela sociedade brasileira como a melhor forma de evoluir como povo e nação.

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