Relendo escritos ao acaso

Caros amigos

Relendo escritos, deparei-me, ao acaso, com este que, hoje, deve estar fazendo cerca de um ano e que, adaptado ao tempo, novamente compartilho.

*****

Há muito não me permito acreditar no acaso. Não por que ele não exista, mas porque não lhe dou o crédito simplista de acidente, contingência ou casualidade, já que traz consigo, sempre, um ensinamento, uma informação ou, até mesmo, uma centelha para a meditação.

Foi assim que um “Bom Dia”, dito no refeitório de um hotel de estrada, colocou-me em contato com o advogado Luiz Carlos Lopes Moreira, professor, ex candidato a governador do Rio Grande do Sul, oficial R2 de Cavalaria e criador de cavalos Árabes.

Mantivemos rápida, mas boa e simpática conversa sobre coisas comuns às nossas vidas, embora nunca antes nos tenhamos encontrado.

Finalizamos a prosa com uma troca de direções e com a sua gentileza de brindar-me com um livro de sua autoria, no qual consta sua proposta de governo para o estado gaúcho.

Reiniciando minha viagem, passei a ler a proposta de governo do meu novo amigo.

Foi aí, exatamente à folha 8, que encontrei a negação do acaso, ao deparar-me com uma citação à qual, provavelmente, nunca teria acesso. Tratava-se de um trecho do livro “Diário de um Mago”, de Paulo Coelho, que resumo:

“O homem nunca pode parar de sonhar; o sonho é o alimento da alma, (…) em nossa existência, vemos nossos sonhos desfeitos e nossos desejos frustrados, mas é preciso continuar sonhando, senão nossa alma morre.

O bom combate é aquele que travamos a pedido de nosso coração. É aquele que travamos em nome de nossos sonhos. E nós matamos nossos sonhos porque temos medo de combater o bom combate.

O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo. (…) na verdade, [temos] medo de combater o bom combate.

O segundo sintoma da morte de nossos sonhos são nossas certezas. Porque não queremos aceitar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a nos julgar sábios, justos e corretos no pouco que pedimos da existência. Olhamos para além das muralhas do nosso dia-dia, ouvimos o ruído de lanças que se quebram, o cheiro de suor e de pólvora, as grandes quedas e os olhares sedentos de conquista dos guerreiros. Mas nunca percebemos a alegria, a imensa alegria que está no coração de quem está lutando, porque para estes não importa nem a vitória nem a derrota, importa apenas combater o bom combate.

Finalmente, o terceiro sintoma da morte de nossos sonhos é a Paz. A vida passa a ser uma tarde de Domingo, sem nos pedir grandes coisas, e sem exigir mais do que queremos dar. Achamos então que estamos maduros, deixamos de lado as fantasias da infância, e conseguimos nossa realização pessoal e profissional. Mas na verdade, no íntimo de nosso coração, sabemos que o que aconteceu foi que renunciamos à luta por nossos sonhos, [renunciamos] a combater o bom combate.

Certa vez um poeta disse que nenhum homem é uma ilha. Para combater o bom combate, precisamos de ajuda. Precisamos de amigos e, quando os amigos não estão por perto, temos que transformar a solidão em nossa principal arma. Tudo o que nos cerca precisa nos ajudar a dar os passos de que precisamos em direção ao nosso objetivo. Tudo tem que ser uma manifestação de nossa vontade de vencer o bom combate. Sem isso, sem percebermos que precisamos de todos e de tudo, seremos guerreiros arrogantes. E nossa arrogância nos derrotará no final, porque vamos estar de tal modo seguros de nós mesmos, que não vamos perceber as armadilhas do campo de batalha”. (Os grifos são meus)

Ao perceber a “lição do acaso”, lembrei-me de imediato do desafio que, à época, passava a impor-se ao novo Comandante do Exército, meu amigo Gen Ex Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, considerando que a Força via nele a esperança de uma mudança de atitude, já que os Chefes que o antecederam não se tinham dado conta de que, para que fosse travado “o bom combate”, precisavam “de todos e de tudo”!

Sem querer e sem efetivamente sê-lo, aqueles Chefes tornaram-se “arrogantes” e, desapercebidamente, foram vítimas das “armadilhas do campo de batalha”.

Compartilhando com o Comandante Villas Bôas a oportunidade do acaso, desejei-lhe sucesso e que continuasse a não temer o bom combate, que não permitisse a morte de sua alma e que a alimentasse com o mesmo sonho que fez com que nossos pais e os grandes Chefes Militares que com eles ombrearam arriscassem suas vidas e suas carreiras, legando-nos a democracia que hoje desfrutamos ao lado dos que contra ela nunca deixam de conspirar.

Desejei, ainda, que seu coração se enchesse da alegria de quem ousa lutar pelo que sabe que é certo, que aceitasse o desafio, não da aventura, mas do risco inerente ao bom combate!

Desejei que nunca renunciasse à luta por suas convicções, que não se deixasse violentar por promessas efêmeras ou pela falsidade castradora dos afagos dos hipócritas que estremecem só de pensar no “rugido do leão” (*) ou na “cólera das legiões”!

Desejei que ele nunca se permitisse dispensar a ajuda dos amigos, do seu Alto Comando e de todos que queriam e querem, que podiam e podem estar com ele. Que não perdesse a confiança nos que verdadeiramente queriam e querem o seu sucesso, porque dele depende o sucesso do Exército. E, finalmente, que a humildade, que o define como um grande líder militar, continuasse a manter à distância a arrogância que, além de deixar-lo só, o cegaria para as armadilhas que os falsários da verdade sempre colocarão em seu caminho!

Hoje, da posição em que observo a evolução das circunstâncias e das suas conseqüências sobre o desafio que lhe cabe, revejo a importância e a atualidade da mensagem que o acaso incumbiu-me de transmitir-lhe e que, por acaso, reli e revisei e que compartilho com ele e com todos, como forma de reafirmar minha confiança na sua coragem para combater o bom combate e minha torcida pelo seu sucesso.

Gen Bda Paulo Chagas

(*) A Fábula, de Jacornélio M. Gonzaga.

 

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8 respostas para Relendo escritos ao acaso

  1. Eneas disse:

    Quando Lula for preso e Dilma impichada, os sindicalistas nas indústrias, bancos e escolas vão parar o Brasil. O MST vai bagunçar geral. Será o começo do caos. O que o exercito está esperando para por ordem na casa? isso acontecer?

  2. Clayton Kikugawa disse:

    Caro General Chagas.

    OFF TOPIC – O senhor está sabendo do evento promovido por Aldo Rebelo para divulgar o SISFRON a países que “ele” considera amigos? A matéria completa saiu ontem 26/02 na revista Sociedade Militar. Além do interesse comercial na divulgação, não é estranho que um sistema de suma importância para o monitoramento de nossas fronteiras esteja sendo comercializado? Sei que os árabes são tradicionais clientes de nossas empresas de defesa, porém, não seria arriscado demais “vender” a chave da porteira? Alguém das forças armadas pôde se manifestar a despeito, ou está tudo de acordo com a doutrina?

    Ótimo texto, como sempre General.

  3. Nicolau disse:

    General, o senhor dorme tranquilo vendo seu país ser tomado gradualmente por uma quadrilha de ASSALTANTES DO ERÁRIO, COMUNISTAS SEM VERGONHA? Sabendo que eles colocaram um pelego no Ministério da Justiça para derrubar o Daiello e melar as investigações da PF? Sabendo que estão derrubando um a um os inimigos da quadrilha? AS INSTITUIÇÕES NESTE PAÍS ESTÃO SOB TOTAL JUGO DESSES BANDIDOS. COM EXCEÇÃO DE POUCOS GENERAIS DAS NOSSAS FFAA. FUZIL NELES! VOSSAS SENHORIAS TEM AS TROPAS DA LEGALIDADE SOB SEU COMANDO.

  4. Nicolau disse:

    Faz-se política com POLÍTICOS (ULISSES GUIMARAES para cima), com BANDIDOS (Cunha, Renan, Dilma, Maluf, e daí para baixo), USA-SE A FORÇA, MESMO QUE AS VÍTIMAS( O POVO) não seja consultado.

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