O Liberalismo e a natureza humana

Caros amigos

Não sou filósofo, nem tampouco sociólogo. Sou um simples, mas orgulhoso, soldado que exerce o direito de ter opinião.

Como não me envergonho de pensar, não me considero dono da verdade, não temo críticas construtivas e inteligentes ou outros ensinamentos mas, principalmente, não temo aperfeiçoar o que penso.

Assim, ouso dizer que, embora o homem moderno seja um ser social, não é da sua natureza deixar de priorizar, em primeiro lugar, a sua família e o que é seu. Depois dela, valoriza, em prioridades variadas, os amigos, a comunidade, a sua cidade, a província, mas, finalmente, e acima de todos esses, a terra em que nasceu, vive e onde produz o sustento da sua família. O nacionalismo é, portanto, um comportamento natural do homem e a negação deste sentimento é contrária à sua natureza.

A competição está na sua gênese – a sobrevivência do mais forte, a seleção natural. O homem quer ser o melhor ou, pelo menos, cada vez melhor e, naturalmente, sempre que a oportunidade se apresenta, vale-se dela para levar vantagem pessoal, familiar ou coletiva.

A necessidade de viver em sociedade e as regras de convivência daí decorrentes inibem o seu instinto animal e fazem-no ver a conveniência da prática da virtude sobre a do vício, embora este último seja, naturalmente, mais atraente.

A tentação da corrupção é, por conseguinte, algo natural e um vício a ser reprimido pelo próprio homem em seus relacionamentos sociais, de trabalho, comerciais e políticos. Conhecendo a si próprio, ele cria regras naturais, instintivas, de fiscalização e auto defesa.

No entanto, quando o conjunto organizado dessas regras ultrapassa os limites da simplicidade, dificultando o desenvolvimento natural da competitividade, torna-se caldo de cultura para a prática da corrupção. A concorrência é como uma competição esportiva, que só será atraente se as regras forem simples, de fácil compreensão e de comum acordo entre os competidores. Vence o que, naquele momento, tiver, honestamente, o melhor desempenho. Todos querem ser os melhores.

A partir dessas constatações simples, tenho concluído que a causa primária dos problemas brasileiros está nas tentativas de tutelar o comportamento humano e de impor à sociedade um conjunto cada vez mais complexo de regras contrárias à sua natureza e que privilegiam, em última análise, muito mais as regras do que os resultados, muito mais a burocracia do que a produtividade e que desprezam a vontade e a capacidade de cada um para ter e ser o que quiser e puder, dentro das suas possibilidades. .

Estou convencido que o ideário liberal, algo que nunca foi definitivamente experimentado no Brasil, deve ser a solução a ser buscada para os nossos problemas. Precisamos, por outro lado, de competência para entender seu verdadeiro significado e para estar à altura das responsabilidades que demanda.

“O governo mínimo não é ausência de governo, mas governo com foco, determinado a deixar que o mercado descubra a sua vocação” (Jorge Jacob – Empresário paulista). Essa “determinação” deverá incluir uma vigilância, cujo nível será tanto menor quanto maior for a nossa capacidade para entender as regras do mercado.

A debacle do projeto socialista bolivariano do Foro de São Paulo dá ao liberalismo a melhor oportunidade para apresentar-se como solução, desde que isto seja feito com inteligência e lucidez para que a sociedade entenda que o sucesso depende principalmente da confiança na nossa própria competência para compreender, dominar e praticar a democracia e as leis do mercado.

É preciso apresentar e implementar o liberalismo de forma que seja o mais palatável em meio ao amargor da situação atual e de suas projeções futuras, ou seja, já que qualquer solução será dolorida, por que não experimentar o que nunca foi experimentado e que tem dado certo em outros lugares?

Como dizem os mais inteligentes e desassombrados, é na crise que encontramos as melhores oportunidades. Deus queira que saibamos encontrar e explorar as nossas!

Gen Bda Paulo Chagas

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7 respostas para O Liberalismo e a natureza humana

  1. martagoulart disse:

    Concordo General, este e´o momento de reescrevermos nossa História, com verdades de fato e muita coragem, com amor à Pátria.

  2. Jorge Alberto Escosteguy disse:

    Prezado General:
    É muito bom ver um general do EB, que provavelmente terminou sua formação como oficial nos primórdios dos anos 70, defender o liberalismo econômico como uma forma de politica a ser tentada.
    Que o Sr. não seja o único.
    Um abraço.

  3. Marcos disse:

    Concordo plenamente. Ao contrário do que nos querem fazer crer, há muita gente boa disposta a construir, trabalhar, educar, enfim desenvolver o país, mas sofrem com grandes amarras muitas vezes por que se negam a se corromper e então acabam tendo que abandonar seus planos. “Tenho visto servos montados a cavalo, e príncipes andando a pé como servos.” Eclesiastes 10

  4. Caro General acho que o Liberalismo não resolve o caso da corrupção no meio de nossa classe politica, e a maioria do povo brasileiro não esta preparado para o Liberalismo.

  5. Nelson Duarte disse:

    Stédille ameaça invadir os Tribunais de Justiça , caso Lula seja preso. Boulos ameaça o Ministro da Justiça e o xinga. Lula ameaça ao país , pelas mortes que ainda estão por vir. Ministro do Supremo ameaça líderes de manifestação pacífica . Atentados terroristas correm pelo nordeste, contra a paz e a ordem. Policiais são presos por matarem bandidos que invadem sua residência. General!!!! O senhor , que esta melhor informado… Até quando, o país estará submisso a foras da Lei que se pronunciam abertamente, estarem acima das leis ??

    • Caro Nelson, obrigado por julgar-me melhor informado, não me julgo assim, mas entendo que, numa democracia, ameaças e pronunciamentos devem ser considerados como alertas aos órgãos de segurança para que ajam quando ocorrerem as promessas. No RN, o Secretário de Segurança Pública é um General da Reserva que já pediu e foi autorizada a participação do Exército no restabelecimento da ordem. Eles que venham, por aqui não passarão!

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