Apreciação sobre a ocupação patriótica da Câmara dos Deputados

Caros amigos

Durante a vida, tenho adotado três atitudes principais como premissas de comportamento: não trair minhas convicções, não me omitir diante do que devo opinar e não ter vergonha de admitir meus erros.

Assim, acompanhei pelas mídias sociais a convocação e as atividades do grupo de patriotas que advogam pela intervenção militar como solução para os problemas de toda ordem que estamos a enfrentar no Brasil e tomei conhecimento, através da televisão e do rádio, da sua tumultuada ocupação do Plenário da Câmara dos Deputados.

Aprendi, por força da profissão, a avaliar com cautela os resultados das operações – o que os militares chamam de APA, Análise Pós Ação – e tirar delas os ensinamentos necessários à evolução pessoal e profissional.

É o que faço, iniciando por dizer que não são poucos os civis que se referem positivamente ao período do regime sob mando de militares, particularmente aqueles que o viveram honestamente e que podem compará-lo com o que vivemos hoje. Sinto-me, como Soldado, sempre lisonjeado quando alguém me diz que aqueles tempos deveriam voltar. É o reconhecimento de uma atitude desassombrada da geração do meu pai, herdada pelas que a sucederam com o compromisso revolucionário de não permitir que o Brasil deixasse de ser uma democracia.

A Revolução de 1964 foi desencadeada de forma espontânea, dispersa e sem planejamento estratégico militar. Logrou êxito em virtude do prestígio e da competência das lideranças revolucionárias, das convicções anticomunistas das Forças Armadas e da vontade do conjunto da sociedade brasileira. Do fato em si e da luta armada que o seguiu, promovida pelos que viram frustrados os seus objetivos liberticidas, as FFAA tiraram lições táticas e estratégicas, consolidaram seu comprometimento com a democracia e compreenderam que, para assegurá-la, seria preciso acompanhar de perto a conjuntura política, traçar planos de emprego e estar preparadas para executá-los na condição de último recurso da Pátria, para que a sua ação não seja, outra vez, confundida com quartelada ou golpe militar.

Pedir uma intervenção das FFAA, neste momento, é um direito de todos os patriotas que perderam a confiança nas instituições republicanas e no poder da vontade popular, mas, ao mesmo tempo, é uma demonstração de descrédito no discernimento, no conhecimento, na sensibilidade e no sentido de oportunidade daqueles a quem chamam para assumir o poder.

Durante a ocupação do Plenário, foi aclamado o Juiz Sérgio Moro, admirável sustentáculo do direito, da justiça e da moralidade, será que ele estaria abdicando do exercício exemplar e corajoso da magistratura para apoiar a via intervencionista militar como forma de por na cadeia tipos como os que, no dia seguinte à manifestação, foram hospedados em Bangu-8? Não creio.

Quanto à pauta reivindicatória do grupo, excetuando a convocação militar, é importante dizer que coincide com a dos demais patriotas brasileiros que se empenham em outras vias para implementá-la. E aqui, abro mão, oportuna e momentaneamente, da reciprocidade que me imponho de ignorar o Professor Olavo de Carvalho, para citá-lo quando diz que “a esperança de resolver tudo de repente por um golpe espetacular é sinal de fraqueza”, e que, “sem um longo ‘trabalho de base’, como o chamam os comunistas [em todos os lugares em que eles estão infiltrados], nem as Forças Armadas em peso podem levar [em definitivo] este país a dias melhores”.

Outro aspecto a ser considerado nesta APA é que a tática de ocupação em massa utilizada pelo grupo patriótico foi a mesma usada pelo MST e congêneres para invadir prédios públicos, aí incluído o próprio Congresso Nacional, como aconteceu em 2006, sob a liderança do comunista Bruno Maranhão, o que, a partir de agora, salvo outro juízo, torna incoerente a condenação de atos semelhantes quando praticados pelas forças da anarquia.

Finalizo esta breve apreciação pessoal afirmando que, como militar, sinto-me prestigiado com a convocação do grupo de patriotas que ousou ocupar o Plenário da Câmara para fazê-lo. Como disse em outros textos, não julgo ser errado incluir a intervenção militar no rol dos recursos disponíveis para a reversão do caos político, econômico, social e moral que se alastrou pelo Brasil. Por outro lado, considero grave equívoco precipitar o emprego do último e definitivo recurso da Nação.

Empregar as FFAA enquanto estamos progredindo bem com outras peças de manobra é, de fato, um grande equívoco, assim como também é por em dúvida o seu comprometimento constitucional, a sua subordinação ao interesse da Pátria e a sua competência para acompanhar e interpretar a conjuntura, imaginando-as incapazes de, por si próprias, conhecer o momento oportuno para agir e prevenir danos maiores à democracia.

Seja como for, é sempre gratificante para os Marinheiros, Soldados e Aviadores saber que continuam a deter os mais altos índices de confiança da maioria do povo a que servem.

Gen Bda Paulo Chagas

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12 respostas para Apreciação sobre a ocupação patriótica da Câmara dos Deputados

  1. Maria do Carmo Freire Soares disse:

    Nobre General, sua análise do contexto considerando as conjunturas e conjecturas do quadro de perplexidade no qual nossa Pátria agoniza é tão completo e compromissado que além de demonstrar a necessidade de termos “Patriotas” no comando, alimenta a esperança que em breve poderemos tê-los.

  2. Guilherme Sampaio Monnerat disse:

    Sr. General, é para mim muito confortador apreciar sua análise competente que orienta sua postura diante da gravíssima crise de nossas instituições.
    Faz aumentar ainda mais minha confiança na qualidade do apoio das FFAA as necessidades de nossa Pátria, no momento que julgarem oportuno.
    Diante disso, só me resta renovar meu incondicional apoio ao seu comando,e reforçar votos ao Sr. de perseverança na segurança de nossa Pátria.
    Estou ao seu lado.

  3. Agnan Pereira da Silva disse:

    O honrado General Paulo Chagas, é um excelente exemplar da responsabilidade patriótica dos militares brasileiros, do Exército de Caxias. Símbolo de honestidade, verdade, sinceridade, sabedoria e seriedade, essas são as características básicas para os verdadeiros governantes da nação brasileira. Contamos e esperamos que os nossos nobres militares ocupem seu lugar no espaço vazio que se encontram nos três poderes do Brasil.

  4. Jorge Alberto Escosteguy disse:

    Prezado General:
    O Sr. sabe, eu sei, os brasileiros esclarecidos sabem, até os seus queridos cavalos do topo da pagina sabem que a autointitulada “sociedade civil” não só não vai tirar o Brasil do atoleiro politico-econômico-institucional que ela mesma o colocou, como vai afundá-lo cada vez mais.
    Alguma força que não componha esta resultante vai ter que entrar em ação sobre este sistema para que as coisas sejam modificadas na direção e no rumo, pois é certo que coisas boas não estão vindo por ai.
    Tenho convicção que nossas forças militares saberão definir o “momento oportuno” para fazer as intervenções que já se fazem necessárias.
    No más, um abraço.

  5. Agnes disse:

    Caro general concordo plenamente com o senhor, e sou mais uma a engrossar a fila dos que sentem saudade daquela época,espero e muito que se houver necessidade as forças armadas de hoje sigam o exemplo dos nossos heróis do passado que não permitiram que nosso amado pais fosse tomado pelos vendilhões da pátria. Obrigada,general, Deus o abençoe.

  6. Laudares disse:

    Caro General,
    Muito lúcido e alentador seu comentário. Demonstra que o senhor mantém a coerência de seus posicionamentos desde o início e, mais importante, reafirma o inarredável compromisso das FFAA em garantir que não cederemos aos comunistas e que sua prontidão e inteligência não permitirão que o descaminho do Brasil passe do ponto sem retorno.

    Pelo nível da desordem e impunidade em que vivemos, não acredito numa mudança significativa apenas por iniciativa da sociedade civil. A prova disso é o descaramento que os políticos tem ao manobrar à luz do dia para se livrarem da Lava Jato. Por isso acredito que há um risco real de o último recurso vir a ser usado. Neste caso, eu também me conforto na sua afirmação de que o comando das FFAA acompanham com atenção e saberão o momento certo, nem antes, nem depois.

    Um abraço General

  7. Paulo disse:

    Caro General,

    As instituições de defesa dos “direitos humanos” impediram o extermínio do PCC em 2006 que, tutelado por essa instituição, tornou-se a maior facção criminosa da América Latina e recentemente declarou guerra ao Comando Vermelho, levando mais problemas a um Rio de Janeiro já destruído.

    Em estando a sociedade civil privada do seu direito a auto defesa por meio de posse de armas de fogo e considerando os aliados do establishment político, desde o trabalho de alienação na academia e meios de comunicação à relação espúria com narcotraficantes, o sr não considera tarde demais para uma ação das FFAA?

    Sou grande admirador de sua integridade, esclarecimento e postura.

    Obrigado,

    – Paulo

  8. Lino disse:

    Prezado General,
    Tenho 63 anos e vivi na época da “ditadura militar”. Trabalhava em Curitiba e era estudante no CEFET (75 a 80).
    Hoje converso com as minha filhas comparando esse período com o atual. Afirmo com certeza que nunca tive minha liberdade ameaçada ou fui importunado por militares, pelo contrário, tinha total segurança em sair à noite para estudar (já era casado nessa época e com uma filha), sabendo que voltaria para casa, sem medo de ser assaltado ou preso e desaparecido, como tanta gente hoje proclama por aí, a maioria sem jamais ter vivido nessa época. Hoje, tenho medo de sair de casa à noite, preocupado com assaltos, tiroteio de traficantes e drogados.
    As minhas filhas me perguntam: E os desaparecidos? Respondo: Quem apenas se preocupava em estudar e trabalhar nunca teve problemas com os militares. Agora, um bando de desocupados e baderneiros, treinados em Cuba e Rússia, vieram a pegar em armas para lutar pela “democracia e liberdade”. Grande ironia. Se fossem treinados por americanos, franceses ou ingleses até poderiam ter razão, mas não. Cuba e Rússia sempre foram símbolos de democracia?
    Por ironia do destino, o povo saiu às ruas para tirar do poder, por corrupção e incompetência administrativa, justamente os que “lutaram pela democracia”, levando o país a sua pior crise política e econômica “na história destepaiz”. Falo brincando: A culpa é dos militares. Deixaram essa ervas daninhas se criarem.
    A LavaJato está a perigo. O grande conchavo político realizado na calada da noite, à revelia do povo, na câmara federal, é uma prova do quanto estamos à mercê de políticos corruptos e sem nenhum compromisso moral com a nação. “A sangria tem que ser estancada”. Palavras de um ministro do atual governo, se referindo à LavaJato, nos faz crer que farão de tudo para melar o processo. O juiz Sérgio Moro se encontra pressionado por todos os lados, inclusive por membros do próprio Supremo Tribunal Federal. O problema desses juízes é que são indicados por políticos, pensando num futuro processo. No toma lá, dá cá. Não é por nada que todos querem ser julgados pelo Supremo. Por que será? As instituições estão se desmoronando, numa sequência irreversível. Hoje, bandido tem mais direito que a vítima. O assaltante pode invadir minha casa, me ameaçar, roubar, estuprar esposa e filhas e se eu reagir e matá-lo vou preso por assassinato. Afinal, é direito do assaltante me roubar. É da profissão dele. A minha obrigação é ficar quieto e não reagir.
    Quando se fala na “ditadura militar”, só se referem aos “heróis”desaparecidos. Se esquecem das obras grandiosas como: Itaipu, transamazônica, novas rodovias e asfaltadas outras, como a 101 aqui no Sul. O que seria do Brasil hoje sem Itaipu?
    General, me desculpe o desabafo, mas estou decepcionado com medo da situação caótica deste país. Não sabemos em quem mais acreditar. Só nos resta apelar para as FFAA, para que fiquem de olho no que está acontecendo. Afinal, algum general presidente saiu milionário depois do mandato? Nunca ouvi ninguém mencionar isso. Nem mesmo os próprios comunistas. E olha que eles são especialistas em mentir.

    Saudações, general.

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