A palestra e a decisão do Comandante do Exército

Caros amigos

As decisões de comando, dentro dos limites da sua autoridade e das normas regulamentares, são legítimas e devem ser, antes de mais nada, respeitadas e executadas.

Assim, baseado no conhecimento e na irrestrita confiança que tenho no soldado, no amigo e no cidadão que comanda o Exército de Caxias, General Eduardo Villas Bôas,  dispenso-me de emitir qualquer juízo de valor sobre os fatores que o levaram à difícil decisão de abrir mão, prematuramente, da incontestável competência de um amigo – integrante do seu Alto Comando – como o General Antônio Hamilton Mourão.

Ambos têm o Exército, a sua coesão e o respeito à disciplina e à hierarquia acima de si próprios e sabem que levar esse triste episódio a bom termo e apenas à luz dos regulamentos é fundamental para a preservação desses valores e para a manutenção da tão frágil e ameaçada estabilidade nacional.

Em que pese o respeito ao julgamento do Comandante e à inquestionável sabedoria das normas de conduta aplicadas aos militares, colho o ensejo para ressaltar que, salvo outro juízo, o SOLDADO, detentor do direito e da obrigação de votar e, por conseguinte, de participar da vida política do País – na ativa, na reserva ou reformado – é, antes de tudo, um CIDADÃO que, fora do exercício da sua função militar, tem o direito e o dever de exercer a sua “CIDADANIA”.

O militar não é e não pode ser visto ou tratado, portanto, como cidadão de segunda classe – afastado da realidade do País, sem direito à indignação, condenado ao silêncio e à resignação -, quando exerce seus direitos e deveres e por eles se manifesta dentro dos limites do regulamento.

É como vejo e interpreto o fato.

Gen Bda Paulo Chagas

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11 respostas para A palestra e a decisão do Comandante do Exército

  1. Maria de Fátima Alvarenga disse:

    Parabéns, General!

  2. Fernando Conde Sangenis disse:

    O General Paulo Chagas é um grande escritor e tem do dom da oportunidade, sempre. Concordo, com todo o seu artigo. O militar de fato e de direito, como cidadão tem o direito inconteste a usufrir de sua Cidadania. Parabéns !

    • Fernando Conde Sangenis disse:

      Moderação ? Em que fui descuidado ? Se tiver excedido algum princípio da Legislação Militar, que seja deletado o meu comentário. Respeitosamente. Procurador Federal Fernando Conde Sangenis, Aposentado por tempo de Serviço.

  3. Edu Caldeira Antunes disse:

    Amigo Chagas
    Para tudo existe um limite, O militar não é um robô insensível programado para aceitar qualquer desmando vindo de quem não respeita leis e as tenta impor de qualquer maneira. Concordo plenamente com tuas palavras. O militar é um cidadão pagador de impostos e destinado a defender a pátria e seu povo e não a aproveitadores de plantão. Edu

  4. Edmar Felipe A. Mehler disse:

    Concordo, principalmente com o direito (ou dever ? ) à cidadania no mesmo tom e na mesma condição de qualquer outro brasileiro. Quanto à decisão do Cmt do EB de dispensar o seu colega e colaborador, e sem estar absolutamente por dentro do acontecido, entendo que era exatamente o momento de firmar a nossa convicçao e a nossa posição, apoiando-o ainda mais. Seria uma manifestação do pensamento e desejo de brasileiros que vestem farda ou a vestiram com respeito às leis e regulamentos, dentro da disciplina e hierarquia indispensáveis à existencia de Forças Armadas. Mehler – AMAN/71

  5. Luis disse:

    Sr. General. Em sua lúcida colocação se concilia, de um lado, a necessária observância da hierarquia e disciplina, esteios básicos de uma Força Armada e por outro aspecto, o direito de um soldado e cidadão a ela pertencente poder se expressar, principalmente quando êle doou sua vida, desde a juventude, na defesa dos interesses da Nação, sendo além disto um especialista na área de Segurança Nacional, aliás, o assunto em discussão.
    A possibilidade de atingirmos o caos e a necessidade de que instituições comprometidas com os valores permanentes da Nação devam impedir tal fato pode ser ilustrada por declarações recentes de um agente público condenado já duas vêzes por corrupção. O ataque cotidiano de condenados às autoridades que os investigaram e condenaram, a incitação “à luta e ao combate” para pressionar tribunais em trabalho de julgamento, colocam em relevância as preocupações de todos, civis ou militares, da ativa ou da reserva e certamente e inclusive, daquele ilustre Oficial General o qual certamente tem todas as qualidades técnicas e morais para analisar tais acontecimentos.

  6. Mauro César disse:

    Sr General, nunca pensei que fosse censurar um comentário meu.

  7. José Ribamar Monteiro Segundo disse:

    É crime tolher qualquer cidadão do sagrado direito de se manifestar.
    Esse é um ponto. O outro ponto, tão relevante quanto o anterior, é o dever que as Forças Armadas tem, por imposição constitucional, de estar prontas para intervir, quando, por solicitação de qualquer um dos Poderes, para intervir no cenário institucional para, em agindo, restaurar a Lei e a Orden.
    A Carta Magna, pressupõe a existência de pelo menos um Poder saudável. E quando os três Poderes estão podres? Quem chamará as FFAA? O porteiro?
    A análise do Gen. Mourão não poderia ser mais lúcida.
    Meus mais patrióticos parabéns.

  8. Carlos Zindel disse:

    Gen. Paulo Chagas, disseram recentemente que o Brasil não precisa ser tutelado… Mas na verdade é exatamente isso que acontece dentro da Democracia ‘Representativa’, nós somos tutelados pelos nossos ‘representantes legais’, que escolhemos de livre e espontânea vontade, supostamente… Isso é ser tutelado, ter um representante legal que fala, decide e responde por você perante a Sociedade. Nós já somos tutelados há muito tempo, e os nossos tutores abusam covardemente da gente o tempo todo, o Brasil precisa ser ‘libertado’, precisa ‘deixar de ser tutelado’ isso sim! A gente não quer as FFAA mandando em tudo como em uma ditadura, a gente quer e precisa das FFAA pra garantir a nossa liberdade diante das ameaças constantes dessas máfias corruptas e psicóticas nacionais e internacionais, máfias globalistas, socialistas, corporativistas, máfias de fanáticos por tudo, máfias de traficantes de tudo, máfias de vampiros dos mais variados… Paradoxalmente a gente precisa de uma Intervenção Militar pra garantir a nossa liberdade e sobrevivência como Nação!! Há de haver uma opção democrática ao sistema político-partidário, Democracia é o governo do Povo, não o dos ‘supostos representantes do povo’…

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